Em qual candidato devo votar na próxima eleição?
27/09/2018 16:15 em notíciascatolicas.com.br

Estamos nos aproximando de mais uma eleição. Neste período, é comum que surjam alguns questionamentos do tipo: “Em qual candidato devo votar nesta eleição?”, “Aliás, será que devo votar?”, “Como escolher um candidato?”, “Até que ponto o cristão deve se intrometer na política?” (…).

Pode ser que, na próxima eleição, você esteja votando pela primeira vez ou já tenha votado dezenas de vezes. Seja como for, não tenho receio de afirmar que a próxima eleição será o acontecimento político mais importante da sua vida. Afinal de contas, quem votou nas eleições passadas fez escolhas que, de uma forma ou de outra, ficaram marcadas na história. Em outras palavras, não é mais possível voltar no tempo e alterá-las. O tempo passou! Hoje, estamos colhendo os gratos ou ingratos frutos dessas escolhas.

Caso você perceba que não fez boas escolhas em eleições passadas, quero afirmar que nem tudo está perdido. Existe algo muito positivo por trás de nossos erros. Se os acertos nos ensinam, mais ainda deveriam ensinar os nossos erros. As escolhas que fizemos nas últimas eleições podem e devem nos ajudar nas escolhas que teremos que fazer na próxima eleição. Se elas foram positivas, podemos permanecer no mesmo caminho, se foram negativas, sabemos que devemos mudar o rumo.

A política não deve ser vista como um mal necessário

Hoje, infelizmente, estruturou-se o pensamento coletivo que considera a política um “mal necessário”. De forma mais clara, a política virou sinônimo de roubalheira e corrupção. A estrutura política é vista como uma “porca” bem cevada, que, deitada na lama, alimenta milhares de porquinhos bem nutridos com as suas tetas numericamente fartas.

Diante desse cenário tenebroso, caso alguém diga abertamente que se sente vocacionado à vida política, provavelmente será fitado com olhos de desconfiança: “Será que essa pessoa quer ficar rica?”; “Será que ela não quer trabalhar?”; “Será que ela está buscando o poder pelo poder?”; “Será que ela quer roubar?”; “Será que ela quer garantir a sua vultosa aposentadoria?”.

Essa visão não deveria acontecer de maneira nenhuma! Se tendemos olhar para a política dessa forma, precisamos fazer um esforço para mudar. Nós, enquanto cristãos, devemos mudar essa mentalidade e colaborar para que os outros também percebam o grande perigo que existe por trás dela. Não pense que a política foi inventada pelo diabo. Existem bons e honrados políticos e são merecedores do nosso apoio e do nosso voto.

Um pouco da origem da “Política”

Para nos ajudar a entender a importância da política, quero expor, de forma bastante sintética, algumas nuances que remontam a sua origem. Isso se torna imprescindível para compreendermos o sentido mais universal nela contido.

Na Grécia, por volta do ano 384 a.C., nasceu um homem chamado Aristóteles. Dentre as suas formidáveis e influentes obras, quero citar uma que recebeu o nome de “A Política”. Esse livro foi dividido em oito livros menores (como se fossem capítulos).

Logo no início de “A Política”, mais precisamente no livro I, Aristóteles afirma uma máxima: O homem, por natureza, é um ser político, isto é, destinado a viver em sociedade (“Zõom Politikós” – “Animal Político”). Aliás, o que distingue os homens dos outros animais é a capacidade de discernir o bem e o mal, o justo e o injusto.

A palavra “política” tem relação com a palavra “polis”, que, em grego, quer dizer cidade. Não é por acaso que algumas cidades brasileiras trazem essa herança terminológica grega na formação de seus nomes, é o caso de Divinópolis, Anápolis, Florianópolis e muitas outras.

Polis, portando, é a cidade; já, política, são todas as ações praticadas com relação à cidade (polis). Você pode estar se perguntando, “e os políticos, quem são?”. Na Grécia desse período, os políticos eram todos os cidadãos livres, os “filhos da polis”. (aqui, não cabe entrar nos pormenores de quem eram considerados livres naquela sociedade).

A política é a arte do bem comum

A cidade, para Aristóteles, não era uma simples junta de pessoas, mas uma comunidade de famílias que se uniam para viver melhor, objetivando uma vida perfeita, virtuosa e nobre. Todas as ações políticas, portanto, deveriam ser praticadas em vista do bem comum. Dessa forma, segundo este pensador, o homem alcançaria uma felicidade plena.

Para ele, uma cidade somente será perfeita se todos tiverem a virtude do bom cidadão. Tal virtude inclui o “saber mandar” e o “saber obedecer”. Os indivíduos da cidade devem realizar boas ações que resultem em virtudes e em sabedoria. Somente dessa maneira a cidade será mais justa e feliz.

Não é à toa que, no livro sétimo, Aristóteles afirma que a alma é mais nobre que o corpo, e que os bens materiais só se tornam desejáveis se servem à alma. Nesse sentido, o homem virtuoso é aquele que pratica bons hábitos. Pessoas que querem entrar ou permanecer na política visando os bens materiais particulares, por exemplo, não teriam vez no tempo de Aristóteles, muito menos aqueles que desprezam as virtudes.

Ele afirma, também, que é indispensável que haja comida o suficiente para todos. Além disso, a cidade precisa ter bons trabalhadores e haja meios para se manter a ordem. Ele afirma, ainda, que deve haver os ofícios religiosos e sacerdotais e, por fim, os meios de decisões sobre as questões que envolvam os direitos dos cidadãos. É justamente por isso que Aristóteles considerou a ciência política como a ciência mais elevada, ou seja, o bem mais alto é o interesse comum.

Cenas para o próximo capítulo
Agora que você conheceu um pouco mais acerca da origem da política, quero provocar você a defrontar aquilo que se entendia por política nos seus inícios e o que se tem hoje. Faça mesmo esse exercício e você vai perceber que estamos muito longe do ideal.

No próximo artigo, daremos continuidade à nossa frutuosa discussão e passaremos para uma segunda etapa. Tentarei responder a essas quatro questões fundamentais:

1) Qual o papel do cristão na política segundo o pensamento da Igreja?
2) Como os cristãos leigos devem se portar diante das autoridades políticas?
3) Em que situações os cristãos NÃO devem obedecer às autoridades políticas?
4) Qual o papel próprio da política tendo como princípio o pensamento cristão?

Deus abençoe você e até a próxima!

Por Gleidson Carvalho
Via Canção Nova

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